Junto e Misturado

Por Rosiane Braga
Fotos: Divulgação/ Tadeu Vilani

Pés apressados e pisoteados faziam o mesmo movimento. O diferencial era o tamanho do passo, mas todos com olhares voltados para o espaço até o degrau e tomados pelo medo de cair. Entraram vinte, trinta e não deu para contar mais. Para quem acha que quem fica apertado é apenas sardinha em lata, engana-se. Essa é apenas a descrição de pessoas que entravam em um dos ônibus que saía de um Terminal de Transporte coletivo. Situação que pode ser vista e vivida todos os dias por milhares de brasileiros que necessitam utilizar o “serviço”.

A crise no transporte coletivo no Brasil está generalizada. Crise momentânea? Não, ela sempre existiu. Por mais que o índice de veículos particulares em nosso país cresce a cada dia, a falta de investimento no transporte público prejudica a população e conseqüentemente diminui a produtividade dela. A maioria dos trabalhadores perde cerca de seis horas por dia na espera de transporte.
Na placa estava escrito “fila única”. Não consegui visualizar nada que pelo menos se assemelhava a algo que chamamos de fila. O povo também não ajuda! A vontade de entrar é tanta que aqueles que avistavam o ônibus já saíam do local que esperavam para se aproximar da porta e perdiam a vez de entrar.  Talvez um quem ri por último ri melhor nessa hora cai bem. É gente de todo tipo, e se fosse perguntar gente que não tem condições de comprar um litro de gasolina porque economiza a semana inteira para comprar leite.
“Minha filha eu só ando de ônibus porque é necessidade”, destacou a mulher bem vestida. Poderíamos até fazer uma enquete, de quem gosta de andar de ônibus, acho que só as crianças responderiam que sim, porque para muitas é a única maneira de passear, ver gente e coisas diferentes. Repetir o discurso de que os políticos brasileiros não fazem nada porque não conhecem a situação e não sentem na pele porque não andam de ônibus lotado, como o povo anda todos os dias é motivo de chacota para os nossos ouvidos. Porque eles sabem e conhecem a situação, vê todos os dias a realidade.
“Ei, aqui não consigo colocar as mãos”, reclamou à senhora. Um esfrega-esfrega, mochila que bate nos outros, o povo gritando pra alguém dar lugar para a senhora que está em pé ou para a mãe que segura o menino nas costas. Todo o dia a mesma história. E o pior de tudo é que essa gente, esse povo, vive tudo isso e chega ao trabalho feliz. O patrão que sai de carro dez minutos antes do horário, mas enfrenta um trânsito lotado não é feliz porque não tem história para contar e nem piada dos apertados para escutar. Quem anda de ônibus tem muita história para compartilhar todo o dia. Mais uma etapa que vence, não é mesmo fácil. Aqueles que vivem apertados ou para os sortudos que conseguem entrar primeiro e sentar, Vocês são Especiais. Já amanhã é outra história...

Comentários

  1. Muito passei por esta situação quando era estudante, assim posso dizer que sobrevivi. Não é fácil, mas entre os estudantes no ônibus que ia para o horário do incío das aulas na universidade havia uma solidariedade muda que até hoje me admiro em lembrar.
    Apesar de tudo é um problema público e que, para variar, não sensibiliza muito nossos governantes.
    Um bj.

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  2. Essa é a mais pura verdade rs
    Hoje ando mais de lotação, e passo muito sufoco também. Mas tenho MUITA história para contar, e sem falar no tanto que me divirto ao ver algumas situções, coisas que literalmente me fazem soltar gargalhadas sozinha em casa.

    "Não seria emocionante se fosse fácil." rs

    Um beijo! Adorei o blog!

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  3. Super interessante seu blog.
    Uma delicia seu jeito de escrever.
    Parabens!

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  4. Gisa,
    Isabelle Dias,
    Iram M.
    Obrigada pelo carinho.
    Abraço Amigo ;)

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