Malas prontas

Por Rosiane Braga
Fotos: Ilustrativas/ Catarina Krug/ Beatnick

Dezembro é o melhor mês para arrumar as malas, mas não pense que vem descanso por ai, porque não irei viajar. A mala que me refiro vai além de um acessório enfeitado e comprado de forma minuciosa, onde levamos nela, aquilo que mais gostamos para se exibir. A profissão de carregador de malas deveria ser a mais remunerada que existe, pois o carregador tem a responsabilidade de carregar com segurança os melhores e mais valiosos objetos de uma pessoa, já pensou nisso? Olhe para os indivíduos dentro de um terminal rodoviário ou em um aeroporto. Consegue imaginar o que carregam ali? As melhores roupas, um gato espremido, economias de dez anos, perfume derramado, fotos velhas, limões para não enjoar, outros já preferem o dramin, muda murcha de rosa e muito mais. Cada um constrói a sua história com os objetos que os representam, não é mesmo!

Mas vamos logo ao que interessa porque não era isso que eu queria escrever aqui. O problema é que quando a gente ouve ou menciona a palavra mala, acho que viagem e um monte de coisas semelhantes a um caminhão de mudança, porque queremos colocar tudo dentro dela, é a primeira coisa que nos vem à cabeça, mas isso aqui não tem nada a ver com testes de criatividade. Do tipo que pense em uma palavra e escreva o que vem na cabeça. Quando disse do último mês, lá no começo do post eu queria mesmo era dizer que já quase se foi o ano de 2010. E será que foi mesmo o ano da colheita? Parece que foi ontem que ouvíamos um monte de mães Dinahs dizendo que todo mundo ia ficar rico e cheio de prosperidade. Quem se lembra disso?

Acho que já é o melhor momento para abaixar a cabeça, que não precisa ser após as refeições ainda sobre a mesa, onde geralmente todos dormem quando abaixam, porque dá uma moleza. Nem na hora de dormir, ocasionalmente deitamos porque sentimos sono e logo, logo, dormimos. Mas “abaixe” no instante de total alerta, depois de café com coca cola para refletir sobre o que passou. A melhor maneira de fazermos um balanço do ano que se foi na perspectiva de que 2011 seja um ano cheio de realizações. Vamos repartir bem a mala. Lembre-se das pessoas com quem não teve as melhores conversas e saiba definir as circunstâncias responsáveis pelos problemas, jogue-as lá. Guarde nela também as roupas que não te fazem bem e os telefones inúteis.

Rabisque as receitas que te deram dor de barriga e não se esqueça das bebidas que lhe fizeram esquecer algo. É hora de transformar tudo que envolve o prefiro ex em cinzas, como por exemplo, ex-amigo, ex-namorado, ex-emprego, ex-chefe. Ex deve ser definitivo porque indica algo que um dia foi, mas que já passou. E que tenha mesmo passado! Separe as fotografias e deixe com que elas sejam presentes apenas em recordação porque essa às vezes assombra a alma, mas nada que precise ter apego material. Não tenha dúvidas na hora de arrumar a sua mala, mas não coloque nela as esperanças antigas porque são as últimas que morrem. Sempre ainda resta uma esperança. Que seja uma mala rosa, verde, azul, amarela ou preta, como preferir. Pratique o desapego e esqueça essa mala na próxima estação de trem.

Comentários

  1. Marcelo Nogueira Campos14 de dezembro de 2010 09:49

    Não é ironia ou simplesmente elogio sem fundamento. Com toda a sinceridade, esse foi um dos seus melhores textos que já li. Nos leva, no mínimo, a uma boa reflexão sobre nosso comportamento neste ano que termina.

    Parabéns!!

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  2. Olá Rosiane!
    Aí está o Natal, manifestação cristã de nosso anseio de harmonia e felicidade, esperança de um mundo melhor. O ano de 2010 chega ao poente à espera do alvorecer de 2011. Entre o ocaso e o romper da aurora, noites estreladas de um verão vivo. Vamos deixar aflorar nossas virtudes. Como diria São Tomás, um hábito do bem, com ânimo e coragem de agir racionalmente.
    Vamos aplaudir a chegada dos novos tempos, muitos dias para saborear a vida em 2011. Nossa nova jornada será de sucesso, de colheita de sorrisos e conquistas. Dias para rever a beleza que nos rodeia, para abraçar os amigos, cantar, sentir o aroma das plantas e agradecer ao criador. Resta-nos renovar nossos espíritos, deixar que a água do mar, mesmo a da torneira, toque nosso corpo para nos lembrar que vamos recomeçar com ânimo a caminhada rumo a um futuro pleno de luz. O sol do amanhã nos e embala e nos convida para uma grande e agradável aventura.

    Um Feliz Natal e próspero Ano Novo, querida amiga!

    Edward de Souza

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  3. Marcelo,
    Edward,
    Obrigada pelas palavras!
    Muito bom tê-los aqui...

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