Tape os olhos, mas não acredite que a culpa é de São Pedro

Por Rosiane Braga
Fotos: Agência Brasil/ Severino Silva/ Ricardo Nogueira/ Luís Filipe Coelho

O mato alto e verde já deitava sobre o chão, as pedras escorregavam sobre a terra e eram levadas pelas águas em fúria. Os moradores corriam pelos trechos de terra firme que sobravam e levavam o que dava para carregar. A lama prendia os pés e aumentava o desespero. Os gritos mais altos eram daqueles que sabiam que nem todo mundo iria se salvar e que alguém estava ficando para trás. Acabou-se a luz e a fiação servia de suporte para a luta contra as águas. Casas, animais, árvores, carros eram engolidos pelas águas. Sobre o deslizamento, raízes e entulhos. Sobre os olhares curiosos a esperança de que alguém com vida podia ser encontrado.


Carros revirados, casas destruídas e buracos foram o que restou. Sobreviventes ilhados após quedas de pontes e animais feridos e abandonados. Helicópteros sobrevoavam a tragédia e curiosos registravam todo o trabalho. Famílias a procura de notícias e desabrigados buscavam abrigo. Corpos foram resgatados e lama ocupava o caminho. Fotografias, bolsas, roupas e imagens, marcaram os sinais da destruição. Moradores retiravam pertences depois do desmoronamento. Os que escaparam reconheceram o milagre de que em meio às águas conseguiram escapar. Cenário que todo mundo viu e que não sai da memória do povo. Realmente, comovente e triste!

Gritos, lágrimas e tristeza vêm daqueles que perderam familiares e amigos e que comoveram os brasileiros nesses últimos dias. As últimas enchentes no Rio de Janeiro já são consideradas pela imprensa a “maior tragédia climática da história do país”. E surge a pergunta que não se cala. Afinal, de quem é a culpa? De São Pedro? Mencionar ironicamente as atribuições aos acontecimentos só desrespeita as vítimas, mas as possíveis causas são pouco mencionadas. Isso é questionável! Os políticos afirmam que a culpa é da natureza. Culpá-la não seria relevar a falta de controle e planejamento das cidades? Ninguém quer assumir a culpa e daqui alguns anos ou até meses podemos ver repetir a mesma tragédia.

A verdade é que os homens estão cavando a sua própria cova. Poluição em toda a parte, residências em locais impróprios, falta de segurança, falta de fiscalização e as pessoas são submetidas a condições de vida precárias, fatos que só contribuem para esses acontecimentos. Quem poderá pagar pelas vidas das já 700 vítimas da Região Serrana? Não tenho nada contra o Governo A ou B, mas os noticiários e as providências escondem a falta de responsabilidade para com as vítimas.


Policiais da Decon coíbe aumento em lojas de Teresópolis e Nova Friburgo, produtores rurais terão prorrogação de financiamentos, Governo Federal irá implantar sistema de alerta e prevenção de desastres, Governador Sérgio Cabral pede mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida, FGTS liberado para as vítimas. Agora? O que adianta? Providências depois que 700 pessoas morreram. Meus queridos amigos deste blog, deixo aqui marcada a minha indignação pelo disfarce das pessoas que são responsáveis pela tomada de decisão nesse país.  Aceite as desculpas, mas não se cale diante da verdade. A mídia comove os nossos corações com a dor desse povo e não questiona quem vai pagar por isso. Apenas mais um desabafo, porque quem cala consente!

A todos que perderam pessoas queridas, meus sinceros sentimentos!


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Comentários

  1. Olá Rosiane, querida amiga...
    O planeta Terra é o nosso mundo e, se continuarmos a maltratá-lo, a destruí-lo, que futuro poderemos esperar? A natureza é a alma da Terra. E ela está se cansando de tanto descaso, de tanto desrespeito, fato que pode ser facilmente constatado, se prestarmos atenção nas tragédias climáticas que vêm acontecendo, como tempestades, furacões, enchentes, terremotos, etc. Mãe Natureza se rebela diante de tanta irresponsabilidade do ser humano, qual seja no cuidado do seu meio-ambiente, da sua água, do seu ar, do seu mar, do seu chão.

    A Terra clama por socorro. É hora de pararmos para repensar nossas ações e pensar mais no nosso planeta, passar a respeitar a natureza como ela merece, antes que seja tarde demais. Fazemos parte dela, estamos agredindo a nós mesmos, estamos podando o nosso próprio futuro, estamos apressando o fim do lugar onde vivemos. Façamos nossa parte, ajudando as vítimas da Região Serrana do Rio e que Deus tenha misericórdia de todos os desabrigados e conforte as famílias enlutadas.

    Onde está o meu selinho, Rosiane: Vim buscar...

    Beijinhos,

    Edward de Souza

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  2. Triste, mas belo enfoque, atual, a culpa? é de um país sem programa e atenção ao povo, ao meio ambiente, a natureza depredada, desiquilibrada sem fiscalização, uma matéria digna de parabéns, blog é tb pra isso, um show sua idéia, pra vc bjos, bjos e bjosssssssssss

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  3. Olá Rosiane!
    Os aeroportos de nossas vidas estão abertos. Podemos decolar, o céu nos espera. Vamos voar em busca de nossos sonhos. Eles estão próximos. Basta querer com determinação para que se tornem realidade.

    Bjos,

    Edward de Souza

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  4. OLá!
    Te encontrei lá no blog do Alinizinha "Muitas coisas por ai"...Muito bonito este espaço, parabens pelo blog e pela postagens, adorei tudo por aqui...
    Já estou seguindo, e lhe convido a passar no meu recanto, estarei te esperando por lá...
    Bjos no coração
    http://passossilenciosos.blogspot.com
    Estarei sempre por aqui..xerooo

    Excelente texto, parabens pelo olhar que vai além da situação, mas ao porque desta situação.

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  5. Minha Querida
    É preciso denunciar SEMPRE! O problema é quando o Estado não assume as suas responsabilidades na construção (ou na falta dela) de estruturas,de condições básicas que, protejendo a Natureza, defendam tambem a vida humana. O planeta degrada-se porque ferido mortalmente (culpa nossa tambem) e ninguem assume o seu papel de coohabitante de um lugar que nos foi dado para sermos felizes.
    Se ninguem tomar medidas, claro que as catástrofes não vão parar! Choraremos todos pelas vidas que se perdem e pelo lamaçal que esta Terra se está a tornar em todos os sentidos.
    Que as almas dos que partiram, tenham ao menos paz no seio de Deus.
    Beijo e boa semana.
    Graça

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  6. Oi, tou passando aqui para divulgar meu "livro". É uma história real, (talvez um aumento básico) por isso o anônimato. Talvez um dia publique, mas de começo divido com alguém.
    ACESSE:
    www.umaoutrajornalista.blogspot.com
    E leia:
    Amélia desistiu de amar.

    Beijos.

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  7. Excelente post, lamentablemente es sobre la tragedia que enluta a tu bella Brasil, y que es repetición de muchas tragedias similares en otros lugares de nuestra América y con las mismas respuestas de nuestros gobernantes, culpando a la naturaleza a San Pedro, San Isidro, a el fenómeno climatológico “el niño”, “la niña”, al imperio americano, al calentamiento global, a los ricos.
    Son “caradura” en su negligencia y más farsantes aun ante la tragedia, quizás es perverso comparar, pero podemos ver las inundaciones de Australia para citar un ejemplo, podemos ver la magnitud de los daños materiales, pero con el mínimo de víctimas humanas.
    Dispositivos de alarma temprana? Es lo mismo que los “policías acostados” en las calles, avenidas y carreteras colocados para reducir la velocidad de los carros, ante la incapacidad de las autoridades de hacer cumplir los límites de velocidad y las leyes de tránsito.
    ¿Qué alarma temprana colocaran en los sitios donde se construyen casas sobre tuberías de gas, petróleo y agua a mucho volumen y presión? Ahí seguro será culpa de las trasnacionales gringas, del imperio.
    NEGLIGENCIA CRIMINAL, ES SOLO ESO..!
    Mi pesar y oraciones a familiares y víctimas, desde el dolor de nuestra propia tragedia.
    Sigue diciendo valiente.
    Saludos
    Ángel

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