Problema social em papel reciclável!

O que  não utilizamos mais, não para de crescer. E cresce em ritmo mais acelerado que a população urbana. Tudo gera um monte de sacolas amontoadas, papéis, móveis quebrados, resto de comida, animais revirando os montes, principalmente os urubus, cacos de vidro, garrafas de plástico, um odor indescritível e no meio disso tudo seres humanos. Pessoas que tentam se proteger daquele ambiente como podem, que estão ali no intuito de retirar alguma coisa daquilo que não presta mais para nós. É com o que nós descartamos que eles sobrevivem.

O risco de contaminação por salmoneloses, chegueloses, doenças que causam diarréia, parasitoses e endoparasitoses causadas por vermes como giárdia e ameba, dengue, tétano, leptospirose dentre outras está mais próximo deles e eles nem imaginam. Na verdade estão cientes porque quem trabalha nestas condições não tem como não saber dos riscos, mas não tem outro meio de sobrevivência. Nunca ouvi dizer que alguém trabalha no lixo por vontade própria.

“A gente está correndo atrás de uma indenização que pelo menos possa dar para nós um carrinho de pipoca ou de hambúrguer. Eu não tenho como pagar o INSS para me aposentar. De onde eu vou tirar esse dinheiro, se não tem como?”
A ex-catadora Sílvia Maria, que sobrevive com cerca de R$ 70 que recebe do Programa Bolsa Família, além de doações de roupas e comida entregues por vizinhos e igrejas

Bom, mas a questão a ser discutida é bem “simples”. No início do ano, moradores dos mais de cinco mil municípios do país e representantes do governo e da iniciativa privada começaram a discutir quais as principais medidas, dificuldades e demandas para a implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) no Brasil. A Lei 12.305/10, que instituiu a PNRS, obriga os municípios a depositarem o lixo em aterros sanitários controlados, o que significa um melhor ordenamento dos resíduos, que deixarão de poluir o meio ambiente, mas ao mesmo tempo representa o fim do trabalho para milhares de catadores. As propostas devem ser concluídas em quatro meses (agosto) quando serão discutidas pelos governos estaduais. O fim dos lixões em todo o país está previsto para ocorrer a partir de agosto de 2014.

Pois bem, desde que o assunto PNRS surgiu, algumas medidas já estão em prática. No estado do Rio de Janeiro, a estimativa é que pelo menos 40 mil pessoas vivam diretamente da reciclagem. O fechamento do Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, na Baixada Fluminense, em junho de 2012 provocou uma melhora significativa na qualidade de vida da região, mas deixou milhares de famílias sem a fonte de renda diária. Cada um recebeu uma indenização de R$ 14 mil, a maioria dos trabalhadores gastou o dinheiro sem que isso tenha garantido uma nova forma de trabalho. A pergunta é... será que receberam alguma orientação para isto? Tendo em vista que muitos não têm instrução. Entregar dinheiro para quem não sabe administrar é o mesmo que moeda na mão de criança “vai tudo em doce”. 

“A situação é a pior possível. Muitas pessoas estão doentes, perderam a força para trabalhar, mas não se aposentaram. É uma verdadeira calamidade pública. Tiraram o lixão e não nos falaram nada. Não temos mais o lixo para reciclar. A situação é de abandono e de caos total. Estamos na mais pura miséria”,
Ex-catador do antigo lixão de Itaoca, no município de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro

Como sabemos falta pouco para que os municípios cumpram a lei. É necessário que os responsáveis se conscientizem. É preciso respeitar o que diz a lei, quando obriga a criação de serviços de coleta seletiva, a fim de absorver os catadores. Estão desativando os lixões, mas mantendo um processo de exclusão com os catadores de material reciclável, com poucas exceções. Vale lembrar que erradicar os lixões não é o suficiente, o modelo de tratamento dele também deve ser levado em consideração, aproveitando essas pessoas que estão desamparadas. Uma saída seria a inclusão dos catadores por meio de cooperativas. No entanto é nítido que a falta de fiscalização no processo de implantação da lei de resíduos sólidos só agrava o problema social.

Comentários

  1. "Quase que posso pressentir seus próximos escritos ...
    Sua forma é divina, pessoa. Agradeço-lhes por também estar presente em meu espaço.

    E parabéns pelo blog.

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  2. um texto reflexivo...com imagens chocantes...me lembra Estamira do lixão de Jardim Gramacho....pbéns ...abraços

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  3. Infelizmente, imagens como esta se multiplicam... o homem desligou por completo a saúde do planeta e o egoismo é superior a qualquer ideal. Gostei do teu texto, como sempre.
    Beijocas
    Graça

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  4. Gostei do texto, a natureza reage do jeito que cuidamos dela.

    http://raquelconsorte.blogspot.com.br/

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  5. A degradação, o risco de contaminação, o odor, a falta de oportunidade, a necessidade, e se tiramos o lixo tiramos a oportunidade. O ser humano é extremamente adaptável. Veja como nos adaptamos facilmente às péssimas condições de vida de nossos semelhantes. Mais do que fazer vigorar uma lei, é necessário um pouco de compaixão. Parabéns pelo excelente texto! Eu já conhecia Gramacho pelo filme Lixo Extraordinário com o Vik Muniz e achei ótimo o seu texto. Com tempo, deixe sua impressão no meu http://jefhcardoso.blogspot.com Ficarei honrado!

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