Quem acredita sempre alcança

Na Serra de Umã, no sertão de Pernambuco em meio a 5 mil índios aticuns vivia Josinaldo, o grande sonhador. Terceiro de seis irmãos, com seis anos tinha uma rotina: ajudava a mãe a capinar as plantações na roça. Seu pai os abandonou e depois de alguns anos morreu em uma briga. Na comunidade era assim: casebres de chão batido, sem comida, sem esgoto que inundavam no tempo chuvoso. Em tempo de chuva a situação complicava, ele e a família largavam a casa de pau a pique da aldeia para subir a serra. A opção era uma palhoça ao qual dormiam no chão.

Foto: Celso Junior/ ÉPOCA
Estudar não era prioridade, mas Josinaldo dava um jeito de recuperar as aulas perdidas da única escola da região, que só chegava a 4ª série. Ao terminar, o menino queria continuar estudando e refez a determinada série três vezes. Em 1995 construiu-se uma escola de 5ª a 8ª série no povoado vizinho. Josinaldo e outras crianças percorriam os 6 quilômetros de jumento ou bicicleta. O caminho ao ensino médio era mais longo, 48 quilômetros a cidade de Salgueiro.

O tempo passou e o jovem índio começou a trabalhar como agente de saúde na aldeia. “Um dia visitei uma mãe que amamentava um bebê, ele estava com as costelinhas à mostra, marcadas na pele fina, aquilo foi o que mais doeu foi quando comecei a sonhar em ser médico”, contou o índio. O sonho ficou mais próximo de ser realizado quando soube do convênio entre a Funai e a UnB. Fez o vestibular no ano seguinte e passou. Josinaldo relata que quando o pessoal da Fundação ligou avisando que tinha passado ele ainda pensou que era trote. Ao mudar para Brasília tinha uma mesada da Funai de R$ 900, cinco mudas de roupa, meia dúzia de livros e a confiança de um povo.

Lá não conseguia fazer amizades, seu grande amigo de outra etnia, que dividiam o quarto estava com problemas na família retornou a aldeia dele e suicidou um mês depois. Para Josinaldo a morte de Jânio foi como perder um irmão. As dificuldades persistiam, o choque do primeiro contato com a sala de anatomia, reprovação em algumas matérias, atraso no repasse da Funai e uma grande solidão. Após sete anos, em uma noite do mês de fevereiro de 2013, Josinaldo da Silva ficou para a história como o primeiro índio formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB).

No dia da formatura recebeu os cumprimentos do pajé Álvaro Tukano que com grande orgulho o presenteou com um enorme cocar de penas de gavião, similar ao que ostentava na própria cabeça. A plateia e os outros 39 formandos ficaram de pé para aplaudi-lo. Agora, Dr. Josinaldo atende em um Posto de Saúde do distrito de Santa Maria, em Flores de Goiás, a 210 quilômetros de Brasília. Ficará no posto por um ano. Depois seguirá para Planaltina, na periferia de Brasília, para fazer residência de dois anos em medicina da família, área que escolheu. Daqui a três anos voltará para sua aldeia para retribuir o voto de confiança que recebeu. Parabéns ao doutor Josinaldo! E que a história dele sirva de exemplo para muitas pessoas lutarem pelos seus objetivos, porque quem acredita sempre alcança!

Comentários

  1. Linda história de vida! Nao sei, mas às vezes tenha a certeza de que o homem é moldado pelas suas dificuldades. Um ótimo domingo!

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