Trilhas de Honestino


O que aconteceu com o meu pai? Quem o matou? E onde está o seu corpo? Perguntas que há quarenta anos perturbam a mente de uma filha sem notícias do pai. Cansada de esperar por resposta, Juliana Botelho filha do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido há 40 anos quer resgatar a memória do militante e ter pistas do desaparecimento dele. A campanha Trilhas de Honestino lançada em uma audiência pública da Comissão Estadual da Verdade do Rio (CEV-Rio), no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro tem o objetivo de levantar documentos, registros históricos e relatos que possam ajudar a estabelecer a verdade sobre o que aconteceu.

O Caso Honestino, que desapareceu em 10 de outubro de 1973 é considerado o “mais nebuloso” entre os desaparecidos políticos. De acordo com o presidente da CEV-Rio, Wadih Damous, na história dos desaparecimentos políticos forçados na ditadura é único, em que não há rastros. Ele ressalta ainda que as buscas irão se iniciar do zero. Honestino é o desaparecido total, não há rastros, não há pistas, não há nada. Simplesmente desapareceu! Sabe-se que ele era vigiado e perseguido por diversos órgãos de repressão. “Pode ter sido assassinado na rua e se livraram do corpo”, declarou Damous.

(…) Honestino foi um exemplo de persistência, de amor ao Brasil e de amor à liberdade. A ditadura queria matar o exemplo, mas ainda hoje o nome de Honestino é símbolo de luta e resistência – não uma mensagem de morte e derrota, mas de vida e coragem. Não pensemos em Honestino como quem pensa em um mártir ou herói. Pensemos em um estudante apaixonado, movido por causas que ainda nos comovem: justiça social, paz e liberdade. Honestino, vivo por seu exemplo de amor à vida, é a prova de que estas palavras não são vazias. Se hoje a moda é a descrença, o imediatismo, (…) a vida grita mais alto, a utopia grita mais alto. Por isso Honestino assombra, inquieta – e convida. (Daniel Faria)

Em setembro deste ano, Honestino Guimarães foi considerado anistiado político e o relator do processo recomendou que a certidão de óbito, de 1996, fosse modificada para 10 de outubro de 1973, a data de desaparecimento. Outro pedido foi à inclusão da causa de morte que está em branco no documento, como "crimes cometidos pelo Estado". "Contaremos com colaborações principalmente via redes sociais. Qualquer coisa interessa: fotos, relatos, pistas", pediu Juliana, que receberá as informações pelo e-mail memoriahonestino@gmail.com. Honestino foi um exemplo e é a grande inspiração para o movimento estudantil!

Quem foi Honestino?

Natural de Itaberaí, em Goiás. Em 1965 se ingressou na UnB para geologia e a partir daí foi preso diversas vezes por seu envolvimento com a política estudantil. Preso pela quarta vez, em agosto de 1967, foi eleito presidente da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília. O desligamento da universidade foi em 1968, como punição por ter liderado movimento pela expulsão de um falso professor da UnB, informante da ditadura. No mesmo ano, casou-se com Isaura Botelho.

Após a edição do Ato Institucional Nº 5 (AI-5), que suspendeu várias garantias constitucionais, Honestino passou a viver na clandestinidade, com Isaura, em São Paulo. A filha do casal, Juliana Botelho, nasceu em 1970. Na época o presidente da UNE, Jean Marc van der Weid, foi preso e Honestino assumiu a presidência interina da entidade, permanecendo até 1971. Naquele ano, foi eleito presidente da entidade. Em 10 de outubro de 1973, foi preso no Rio por agentes do Centro de Informações da Marinha (Ceninar), quando desapareceu sem deixar qualquer vestígio. Tinha 25 anos na época. (Adaptada)

Comentários

  1. Está no prelo,pela Editora da UnB, Paixão de Honestino, de Betty Almeida, obra que consumiu seis anos de pesquisas e relata a trajetória política e existencial de Honestino Monteiro Guimarães. O site ou ou traz informações, documentos, fotos e vídeos.

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